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A Panela de Pressão do Tamanho de uma Bancada: Uma História de Aprendizado e Precaução


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Uma das histórias mais surpreendentes da minha trajetória, que poderia ter acabado desastrosamente, aconteceu nos primeiros anos da minha carreira de construtor. Na época, eu estava empenhado em desenvolver um método eficiente para dobrar as faixas (laterais) do violão.


Quem já se aventurou na construção de um violão sabe o quão desafiador é dobrar aquela madeira que molda a silhueta do instrumento, com suas curvas e cintura bem definidas, sem quebrar ou rachar a madeira. Esse foi um dos meus primeiros obstáculos, que persistiu ao longo da minha jornada, tornando-se, por assim dizer, o meu ponto fraco. Por isso, sempre busquei resolver esse problema de forma a evitar qualquer perda de material já preparado, pois isso demandava um esforço considerável. Minha meta era reduzir o risco a zero.


Foi então que, assistindo a um vídeo sobre a construção de barcos, me deparei com um artesão que utilizava uma técnica intrigante: ele colocava uma prancha de madeira em uma espécie de panela de pressão alongada e quadrada. Aquilo foi um estalo para mim, a solução que eu tanto procurava.


Como sou adepto do improviso, construí minha própria versão da panela de pressão, toda em ferro galvanizado, aproveitando materiais de uma caixa de contrapeso de portão de garagem, algumas barras de ferro maciço, e uma boa dose de habilidade na soldagem. A vedação ficou por conta de borrachas na tampa, que era presa por cinco presilhas de ferro maciço, garantindo uma pressão total que fazia a madeira amolecer após a fervura. Assim, minha panela funcionava maravilhosamente.


Orgulhoso da minha invenção, gravei um vídeo para o canal "NOCABO TV" do meu amigo Maurício Barca, no YouTube, onde compartilhei minha descoberta e tudo parecia estar resolvido quanto à questão da dobragem de madeiras.


Num certo final de semana, meu pai veio me visitar e trouxe consigo meu tio, o sr. Tarso Rocha. Meu tio, ao ver minha panela de pressão, me questionou: "Tu não vai colocar uma válvula nessa panela?" Respondi, confiante: "Olha, tio, eu nem deixo pegar pressão, assim que começa eu desligo e deixo a pressão sair naturalmente." Ele me olhou desconfiado e alertou: "Olha lá hein... Essas coisas são perigosas". Meu pai, observando a cena, nem insistiu, pois sabia que eu era meio cabeça dura e teimoso. Ele simplesmente comprou duas válvulas na ferragem e disse para eu instalar na minha "geringonça". Adivinhem se o teimosinho aqui instalou? Claro que não, pois afinal, naquela época, eu era imortal e dono da verdade (kkk). Pensava: "Válvula? Isso é frescura, não vou instalar coisa nenhuma!"


O tempo passou, e eu seguia feliz com minha invenção e de vez em quando pensava: "Válvula pra quê? Se eu desligo a panela quando ferve". Até que um dia, numa tarde de verão, enquanto as faixas do violão ferviam, decidi lixar algumas madeiras para passar o tempo. Uma vez que as faixas chegavam na fervura, eu deixava apenas 1 minuto e desligava, mas isso demorava um pouco. Distraído lixando as madeiras, me esqueci da panela... De repente, ouvi uma explosão tão forte que me fez recuar. Um estrondo que fez minha vizinha pensar que um botijão de gás havia explodido, e os cachorros começaram a uivar.


Atordoado, olhei para o teto do mezanino, a cerca de cinco metros de altura. A tampa da panela tinha voado até lá, atingindo as vigas de madeira e arrancando uma lasca, revelando a potência da explosão. Procurei a água que estava na panela, mas ela simplesmente desapareceu, restando apenas um vapor no ar e algumas gotas na parede. Percebi então que havia criado uma bomba caseira e que poderia não estar aqui contando essa história se estivesse na frente da panela quando explodiu.


Desse episódio, retiro duas lições valiosas:

  1. Devemos ouvir os mais velhos.
  2. Tudo na vida precisa de uma válvula de escape, senão, pode explodir!




Confira o vídeo sobre a "panela de pressão" do canal do meu amigo Maurício Barca que comentei: